
O título Um réquiem alemão se deve ao fato de Brahms ter utilizado passagens da Bíblia de Lutero, optando pelo vernáculo em vez do Latim. Sem se concentrar no Juízo Final, Brahms enfatiza a busca pela consolação diante da inevitabilidade da morte. A obra, completada em 1868, será interpretada pelo maestro português Dinis Sousa, tendo como solistas o brasileiro Leonardo Neiva e a belga Louise Foor. Entre os movimentos do Réquiem, ouviremos as quatro pequenas peças de Das Lesen der Schrift. Nelas, Rihm procura ler a música de Brahms de maneira criativa, produzindo outro retrato musical do processo de luto, uma música sóbria e contemplativa que se encaixa perfeitamente no universo brahmsiano. A maneira como Rihm dialoga com o Réquiem espelha como o próprio Brahms dialoga com as cantatas sacras de Bach: a obra de Rihm, composta em 2001, situa-se no desfecho de uma conversa de quase 300 anos a respeito da perda e de sua elaboração.