
Trama propõe um diálogo inédito entre bancos de madeira produzidos por etnias indígenas, majoritariamente do Alto Xingu, e obras da série Tecelares (1953–1960), de Lygia Pape. Com texto crítico de Camila Bechelany e expografia do escritório Acayaba _ Rosemberg Arquitetos, a exposição reúne mais de dez bancos provenientes da coleção Porangatu, evidenciando a sofisticação técnica, simbólica e estética dessa produção ancestral.Ao aproximar esses objetos de uso ritual e cotidiano das xilogravuras de Pape, a mostra revela paralelos entre gesto, matéria e conhecimento, em que a madeira deixa de ser suporte passivo para se afirmar como agente de sentido. Sem buscar sínteses fáceis, Trama cria uma fricção produtiva entre ancestralidade e modernidade, convidando o público a refletir sobre diferentes modos de compreender o mundo como entrelaçamento de forma, experiência e cultura.