
Olivier Messiaen escreveu Um sorriso em homenagem ao bicentenário da morte de Mozart, explicando seu apreço a este nos seguintes termos: “Ele só conheceu a tragédia [...] Ainda assim, Mozart continuou a sorrir, em sua música e em sua vida”. Não por acaso, o programa coloca ao lado de Messiaen o último e maismozartiano concerto de Haydn, inspirado em melodias ciganas e repleto de deliciosas appoggiaturas. O francês Pierre Laurent-Aimard é o solista, conhecido pela maneira iluminadora como articula o repertório tradicional ao contemporâneo. A seguir voltamos a Messiaen, ouvindo o canto de aves da Ásia e das Américas, entremeados com ritmos hindus. O programa culmina com a Sinfonia nº 5 de Mendelssohn, celebração do tricentenário do Protestantismo, este simbolizado pelo hino “Deus é nosso refúgio e fortaleza”, composto por Lutero em 1529, contraposto à deliberada citação de Palestrina, compositor maior da tradição católica.