O espetáculo tem em suas veias a paixão de Kafka pelo teatro popular e episódico do cabaré. A dramaturgia costura 7 contos do autor, alguns com apenas um pequeno parágrafo. Numa sequência, a narrativa evoca as raízes indígenas andinas de imigrantes latino-americanos em nossa cidade, expõe as engrenagens da captura da vida pelo negócio, o condicionamento e o caráter excludente da cultura citadina ocidental, culminando no desejo de fusão com a terra, com o corpo do animal e com o vasto horizonte. Mas no fio da história, acontecimentos em descompasso – como um relógio que gira ao contrário ou que se adianta - nos lançam ao patamar do sonho, tal como o concebem as culturas indígenas, como disciplina que norteia, orienta. O sonho como experiência coletiva.