
Curto, ágil e irresistível, o intermezzo La Serva Padrona (1733), de G.B. Pergolesi, tornou-se uma das obras mais influentes do repertório cômico da história da ópera. La Contadina (1765), de Hesse, dialoga com esse mesmo universo, mas com a elegância e o refinamento característicos de um dos maiores mestres do barroco tardio.As duas obras mostram, em ambientes diferentes, os mesmos jogos humanos de desejo, poder e afeto. La Serva Padrona revela, dentro de casa, como a astúcia de uma criada transforma relações e o equilíbrio doméstico. La Contadina leva esse mesmo impulso para o campo, onde as estratégias amorosas ganham um tom mais aberto e ingênuo. Juntas, formam um duplo retrato da sociedade italiana do século XVIII, destacando a esperteza feminina, a comédia das relações e a observação refinada do comportamento humano que torna a ópera de câmara um espaço de intimidade e reconhecimento.