
Como Todos os Atos Humanos aborda a naturalização da violência e a reprodução histórica das estruturas patriarcais. Numa alusão inversa ao mito de Electra, a peça apresenta uma narrativa tétrica sobre uma filha inexistente, que profundamente fascinada e ao mesmo tempo subjugada pela figura paterna, rompe o ciclo de dominação ao exterminá-lo, furando seus olhos com um estilete. Esse “parricídio ocular”, carregado de potência simbólica, instaura na cena o gesto arquetípico de aniquilamento do patriarcado e de toda vigilância que a redoma masculina impõe sobre o corpo e o destino da mulher.