
O singapurense Kahchun Wong, conhecido por performances eletrizantes em que relaciona tradições orientais e ocidentais, faz sua estreia junto à Osesp com um programa de alta voltagem política. O Concerto para violino é descrito por Tan Dun como um “ritual musical em homenagem às vítimas da guerra”. Como nas orquestras da China antiga, os músicos são divididos em dois conjuntos: um deles sobre o palco, representando a natureza; o outro, em pé em meio ao público, representando a humanidade. A violinista norueguesa Eldbjorg Hemsing faz a ponte entre os dois mundos. O programa segue com a Sinfonia nº 5, composta no auge da repressão política na União Soviética. Recebida com entusiasmo, tirou Shostakovich do radar dos censores, porém sua ambiguidade deliberada abre margem para interpretações que escutam ironia e frustração por trás do otimismo triunfal.