
A Temporada 2026 se encerra com a última obra de Mahler: a Sinfonia nº 9. Desde sua primeira apresentação, em junho de 1912, a partitura foi lida como uma despedida, pois Mahler falecera meses antes. A Nona foi escrita entre 1908 e 1909, durante um período de profunda crise pessoal. No ano anterior, o compositor havia perdido sua filha Maria e recebido um diagnóstico de uma doença cardíaca incurável. Não é difícil imaginar que essas experiências tenham aguçado sua consciência da finitude, levando-o a optar por andamentos lentos nos longos e comoventes movimentos de abertura e fechamento da obra.Os dois movimentos centrais evocam as sonoridades familiares das danças populares e do contraponto barroco. No entanto, Mahler distorce esses elementos até eles se converterem em aterrorizantes paródias de si mesmos. Nesse sentido, a Nona de Mahler ressoa como o gesto final de um caleidoscópio que se desfaz no silêncio. As cores e formas se transformam até desaparecer, mas permanecem como experiência — aberta, plural e inesquecível.